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Segurança

CVE crítico emitido para vulnerabilidade alucinada por LLM

JFrog descobre CVE oficial no SQLite que nunca existiu: a vulnerabilidade foi alucinada por um modelo de linguagem.

Thiago2 min de leitura

Atualizado em 30 de outubro de 2026

⏱ 2 min de leitura
Neste artigo
  1. Os CVEs em questão
  2. Por que a JFrog acha que são falsos
  3. O efeito colateral
  4. O que o relatório não informa

A JFrog analisou seis CVEs de SQLite com notas altas e concluiu que não descrevem bugs reais. O relatório de Afek Berger, de 30 de julho, trata o caso como lixo gerado por LLM com aparência de advisory de segurança.

Os CVEs em questão

  • CVE-2026-51302, 9.8, use-after-free em exprComputeOperands();
  • CVE-2026-51303, 9.8, use-after-free em ExprListDelete();
  • CVE-2026-51300, 9.1, use-after-free em sqlite3ExprDelete();
  • CVE-2026-51297, 8.8, use-after-free via jsonBlobEdit();
  • CVE-2026-51296, 7.5, use-after-free em jsonRemoveFunc;
  • CVE-2026-51304, 7.5, use-after-free via pOrderBy->nExpr.

Por que a JFrog acha que são falsos

O código citado não existia nas versões apontadas, ou era uma lógica sem relação com a falha descrita. As provas de conceito não derrubavam nada. Alguns advisories citavam linhas além do tamanho do arquivo, como as linhas 3555 a 3575 num arquivo de 2.706 linhas. Os CVEs também não constavam na página oficial de avisos do SQLite, e ferramentas de detecção de texto de IA marcaram os textos como gerados por máquina.

A origem era um repositório do GitHub criado havia pouco, programmervuln/cveadvisory-, que publicou mais de 50 CVEs. A JFrog concluiu que 54 de 55 eram inteiramente inventados.

O efeito colateral

O CVE-2026-51302 chegou a receber 10.0 (crítico) da Red Hat, que depois baixou para 7.6 (alto). A JFrog diz que reportou o problema ao GHSA, à Red Hat e ao NVD.

O que o relatório não informa

Não há nenhuma declaração dos mantenedores do SQLite no texto, então não dá afirmar o que eles pensam do caso. O relatório também não descreve o estado final de cada CVE nos bancos de dados. Para quem mantém scanners ou pipelines que bloqueiam por CVSS, o caso mostra que uma nota alta sozinha não prova que a falha existe. Vale conferir o código citado antes de reagir.

Leia também: O contraponto, para mim, é o RCE real no WordPress encontrado com GPT-5.6: a mesma tecnologia acha falha verdadeira quando alguém valida o resultado.

É por isso que eu não aceito achado de segurança gerado por IA, nem código gerado por IA, sem validação. O que eu confiro antes de qualquer merge está no checklist de segurança antes de colar código do ChatGPT em produção.

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